quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Insetos Gigantes


Imagina um lugar onde os insetos fossem gigantes. Formigas com 2 metros de altura e mosquitos com envergadura de asa de 4 metros, ou algo assim. Apavorante.

Tá bom, essa idéia não tem nada de original, e vários livros e filmes já trataram dela. Mas quem já olhou um inseto de perto, com uma lupa potente, não pode deixar de imaginar quão assustador seria se eles não fossem tão pequenos. Muita gente morre de medo deles, mesmo com seu tamanho reduzido.

Mas porque as formigas gigantes da Amazônia não são os maiores predadores da terra, pesando algumas toneladas e aterrorizando quem se aventura por aquelas áreas?  Algumas questões estruturais atrapalham.

Se pegássemos uma formiga de cozinha e a colocássemos em uma maquina de aumento, que a fizesse crescer mantendo todas as proporções, a criatura resultante seria um monstro e tanto. Mas certamente esse bicho não seria o grande predador da floresta, uma vez que suas pernas colapsariam sobre o peso do seu corpo. Vejam bem, se a formiga original medisse 2cm e nosso projeto de monstro 2m, todas as suas dimensões seriam aumentas em 100 vezes. Então suas patas seriam 100 vezes mais longas e teriam uma área 100^2=10000 vezes maior. Assumindo que elas tivessem a mesma composição, seriam capazes de suportar algo da ordem de grandeza de 10000 o peso que as formigas pequenas suportam (uma aproximação muito grosseira). Por outro  lado o volume do corpo seria 100^3=1000000 vezes maior, assim como o peso... muito mais que as patas gigantes suportariam.

Como essa relação se mantém para qualquer animal que escolhamos, simplesmente aumentar o tamanho do nosso inseto preferido não é a receita para a criação do monstro. Mas com tantas inovações na manipulação genética, em que até ratos com neurônios psicodélicos já foram criados, poderíamos adaptar um pouco o projeto básico do inseto, mudando um pouco as proporções, para viabilizar o gigante. Mas ai, esbarraríamos em outra barreira: o ar.

Faz parte do plano fundamental dos insetos a falta de pulmões. Eles respiram por uma séria de tubos ao longo do corpo que levam o ar até a proximidade dos tecidos, onde a troca de gases acontece por simples difusão. E essa é uma barreira mais fundamental, pois a mesma questão da relação superfície/volume explorada na questão do peso, exigiria um número enorme desses tubos para que todas as células tivessem oxigenação adequada. Tão grande que praticamente não sobraria espaço para mais nada dentro do inseto.  

Assim, para viabilizar o inseto gigante, não seria suficiente alterar suas proporções... teríamos que mudar aspectos do design fundamental desses bichos. Assim, se alguém pretende usar engenharia genética pra criar um monstro, pelo menos não poderá usar os insetos como modelo.


Durmam sossegados, pois nenhum mosquito de 4m virá nos atacar durante a noite.

4 comentários:

  1. ehehe interessante o post!!
    Me lembra de algo que li ontem, num daqueles momentos ociosos do estágio...
    confere aí!
    http://www.cracked.com/article_18683_7-scientific-reasons-zombie-outbreak-would-fail-quickly.html

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  2. Legal,
    mas pra mim zumbis sao mais viáveis que formigas gigantes. Tudo bem, eles tem prazo de validade, mas e dai? Se por alguma razão qualquer eles são fortes e não morrem (pois ja estão mortos), se eles sairem por ai tentando "contaminar" genete acho que eles devem ter uma certa dose de sucesso. Alem disso, os bugs decompositores só contribuem pra que eles sejam mais assustadores.

    Eu boto fé nos zumbis.

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  3. Olha, pra mim nem com 2cm eles precisavam meeesmo existir. Juro. Tenebroso isso vindo duma bióloga, mas eu acabaria com moscas, mosquitos, formigas, vespas...
    Mas Gabi, fiquei curiosa pra saber o que são "ratos com neurônios psicodélicos" q tu citou...cm assim?

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  4. Eu não sei quanto às formigas, mas estou contigo em relação aos mosquitos!!!

    Os ratos com neurônio psiccodélicos: Eu li um paper para uma aula que fiz ano passado de um grupo que modificou geneticamente ratos, de forma que cada neurônio deles expressase uma combinação diferente de proteinas fluorescentes.
    Resultado: neurônios multicoloridos.

    http://www.nytimes.com/2007/11/06/health/research/06brai.html?_r=1

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